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Dentre as entrevistas concedidas durante o press day (dia de imprensa) de Fear the Walking Dead em Londres, Daniel Sharman conversou com o NME sobre a relação entre os britânicos do elenco, seu personagem Troy Otto e mais sobre a 3ª temporada da série.

Confira a entrevista completa:

NME: Vários atores na série são britânicos – Frank Dillane, você, seu ‘irmão’ Sam Underwood… Como é isso?
Daniel: É muito divertido, eu estava contando na Comic-Con que todos nós, britânicos e australianos, estávamos filmando essa cena atrás de, tipo, quatro caminhões com armas e uniformes do exercito americano. Frank e eu estávamos tipo: ‘O quão estranho é isso?’ Nós não temos nenhum apego a isso, não temos nenhuma memória, não é, de fato, parte da nossa cultura – e estamos fazendo uma série bem americana. Nós todos estávamos: ‘O que estamos fazendo aqui?’ Nós estávamos falando sobre futebol, música ou o que quer que seja – nós temos essas referencias britânicas e ainda estamos contando essa história americana – uma história sobre fronteiras – com milícias, armas, uniformes e tudo isso. É uma daquelas coisas realmente estranhas, sentados lá tipo: ‘O que estamos fazendo aqui?!’

NME: Fear the Walking Dead parece conter um pouco mais de discussões sociais que The Walking Dead, com essas questões de controle de armas e fronteiras – você concorda?
Daniel: Eles são apenas duas séries completamente diferentes, penso eu. Pessoalmente, o mundo de Fear the Walking Dead me interessa mais porque, como você disse, eles contam histórias e estão lidando com uma escala de tempo muito pouco tempo depois do colapso da civilização. Você está lidando com um assunto muito diferente, com pessoas que perderam algo que ainda tem memórias do que perderam. Você não tem que tornar isso interessante ou fazer personagens extremos, porque você realmente pode contar histórias que são muito humanas e muito detalhadas. As ideias sobre raça ou religião ou qualquer uma dessas coisas – elas ainda são partes da conversa de alguma maneira, e isso permite que o mundo tenha mais humanidade.

NME: Por que Troy reagiu tão negativamente ao controle de armas?
Daniel: Você precisa entender a personalidade isolada de Troy. Ele é uma pessoa isolada e introvertida. Então, tudo que acreditou ou passou, ele acreditou porque ele nunca teve que ser desafiado de qualquer maneira. É difiicil julgar alguém que nunca teve esses impedimentos e equilíbrio. Eu acho que se você acreditasse firmemente em algo e foi criado nesse ambiente que sempre girou em torno dessas ideias, tirar qualquer uma dessas coisas é como tirar parte de quem você é. É fácil para o público julgar as ações de Troy o colocando como ‘malvado’ mas você tem que colocar isso sobre os olhos de alguém que tem uma ideia isolada e teve uma educação estrita, deixou a escola e não teve qualquer tipo de influencia que você precisa pra formar um julgamento equilibrado.

Quando as coisas são tiradas, elas significam tudo para o Troy porque eles são fundamentalmente o que constroem quem ele é. Para o Troy, as coisas são constantemente tiradas, coisas que ele confiou foram tiradas cuidadosamente devagar. Eu acho que o que é interessante é que, no final da temporada, Troy progrediu mais que qualquer outro personagem porque a remoção dessas coisas o levou a ter mais influencias e interagir com mais pessoas.

NME: Qual o seu momento mais desagradável em FTWD?
Daniel: A cena da colher. Eu tenho uma coisa com olhos – se alguma coisa vai perto deles, eu não fico feliz com isso. Eu não conseguia, obviamente, ver a coisa no olho, mas eles colocaram esse ruído sobre ele, que é a colher raspando sobre o osso, e eu fiquei tipo: ‘Essa é a pior coisa que eu poderia imaginar’. Esse barulho, os detalhes do barulho! Eu estava tipo: ‘Ah, sim, eu vi isso umas cem vezes, eu posso lidar com isso,’ mas aquele barulho… Assistindo o produto final com esse barulho de metal contra o osso e a colher levantando o olhos – Eu estava tipo: ‘É isso pra mim, pra mim chega, isso é demais.’ É engraçado, quando você coloca detalhes verdadeiros nisso, é incrível como você tem uma reação intensa. Até mesmo falar disso me deixa doente…

Tradução & adaptação: Equipe Daniel Sharman Brasil